quinta-feira, 24 de março de 2011

Pedagogia no fim


"Temos que poupar. Temos que gastar menos". "Temos de flexibi­lizar o mercado laboral". "O aumento de impostos é incontorná­vel". "Precisamos de pedir mais sacrifícios aos portugueses".

Estas frases foram ontem ditas pelo ainda ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, no debate parlamentar sobre o PEC IV. Quan­do soube que ia para a rua, o Governo começou a dizer a verdade. Na 25° hora iniciou a pedagogia da crise, que Sócrates sempre recusara fazer, apesar das exortações de Mário Soares.

Por exemplo, em 2008, ano de eleições, Sócrates traçava um pa­norama cor-de-rosa da nossa situação. Baixou o IVA e subiu 2,9% a função pública. Ora nesse ano o desequilíbrio externo de Portugal atingiu 12,6% do PIB. Mas o Governo ignorava o endividamento externo. Os problemas que se faziam sentir atribuía-os à crise in­ternacional. Só que há onze anos o défice da balança corrente do país já equivalia a 10% do PIB, sem crise internacional.

O optimismo balofo marcou o discurso governamental até há pou­cas semanas: antes, sucediam-se os êxitos. Ontem, o PS entrou em campanha eleitoral."

Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista

quarta-feira, 23 de março de 2011

segunda-feira, 14 de março de 2011

Cocktail de Mentiras e Incompetência

Perante o descalabro das contas de 2009 e do maior défice “democrático” de sempre, por razões eleitorais e que o Governo negou até ao fim, aconteceu o seguinte:

21 de Março de 2010: PEC 1. Sócrates e Teixeira dos Santos anunciam não serem necessárias mais medidas restritivas e mais impostos.
16 de Junho de 2010: PEC 2. Sócrates e Teixeira dos Santos anunciam não serem necessárias mais medidas restritivas e mais impostos.
10 de Outubro de 2010: PEC 3. Sócrates e Teixeira dos Santos anunciam não serem necessárias mais medidas restritivas e mais impostos.

Dezembro de 2010: Sócrates e Teixeira dos Santos anunciam a integração na Segurança Social do Fundo de Pensões da PT. Para disfarçar um défice descontrolado

Fevereiro de 2011: Sócrates e Teixeira dos Santos anunciam que as contas públicas de Janeiro são um êxito total.

Março de 2011: Sócrates e Teixeira dos Santos anunciam que as contas públicas de Fevereiro confirmam o êxito de Janeiro.

11 de Março de 2011: PEC IV. Sócrates e Teixeira dos Santos dizem que é para prevenir eventuais dificuldades orçamentais, negando os êxitos de Janeiro e Fevereiro.

Anúncio agora à socapa, em Bruxelas, sem dizer nada ao Parlamento, aos Partidos, excepto um telefonema apressado ao PSD e ao próprio Presidente da República. Trata-se de mais um pacote de austeridade, congelando pensões, mesmo dos mais humildes, mas mantendo despesas surpéfluas e inúteis. Aumentando o IVA, mesmo dos bens de 1ª necessidade, mas mantendo TGVs e similares.

Em resumo: Não acertam uma única previsão! Não falam verdade!! Brincam connosco!!! Deixaram, há muito, de ser dignos de qualquer confiança!...

domingo, 13 de março de 2011

Nada será como antes...




Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes amanhã

Elis Regina, "Nada será como antes"

sábado, 12 de março de 2011

"Este é o maior fracasso da democracia portuguesa"

"Não admira que num país assim emerjam cavalgaduras, que chegam ao topo, dizendo ter formação, que nunca adquiriram, (Olá! camaradas Sócrates...Olá! Armando Vara...), que usem dinheiros públicos (fortunas escandalosas) para se promoverem pessoalmente face a um público acrítico, burro e embrutecido.

Este é um país em que a Câmara Municipal de Lisboa, em governação socialista, distribui casas de RENDA ECONÓMICA - mas não de construção económica - aos seus altos funcionários e jornalistas, em que estes últimos, em atitude de gratidão, passaram a esconder as verdadeiras notícias e passaram a "prostituir-se" na sua dignidade profissional, a troco de participar nos roubos de dinheiros públicos, destinados a gente carenciada, mas mais honesta que estes bandalhos.

Em dado momento a actividade do jornalismo constituiu-se como O VERDADEIRO PODER. Só pela sua acção se sabia a verdade sobre os podres forjados pelos políticos e pelo poder judicial. Agora continua a ser o VERDADEIRO PODER mas senta-se à mesa dos corruptos e com eles partilha os despojos, rapando os ossos ao esqueleto deste povo burro e embrutecido.

Para garantir que vai continuar burro o grande "cavallia" (que em português significa cavalgadura) desferiu o golpe de morte ao ensino público e coroou a acção com a criação das Novas Oportunidades. Gente assim mal formada vai aceitar tudo, e o país será o pátio de recreio dos mafiosos. A justiça portuguesa não é apenas cega. É surda, muda, coxa e marreca.

Portugal tem um défice de responsabilidade civil, criminal e moral muito maior do que o seu défice financeiro, e nenhum português se preocupa com isso, apesar de pagar os custos da morosidade, do secretismo, do encobrimento, do compadrio e da corrupção.

Os portugueses, na sua infinita e pacata desordem existencial, acham tudo "normal" e encolhem os ombros.
Por uma vez gostava que em Portugal alguma coisa tivesse um fim, ponto final, assunto arrumado. Não se fala mais nisso. Vivemos no país mais inconclusivo do mundo, em permanente agitação sobre tudo e sem concluir nada.

Desde os Templários e as obras de Santa Engrácia, que se sabe que, nada acaba em Portugal, nada é levado às últimas consequências, nada é definitivo e tudo é improvisado, temporário, desenrascado. Da morte de Francisco Sá Carneiro e do eterno mistério que a rodeia, foi crime, não foi crime, ao desaparecimento de Madeleine McCann ou ao caso Casa Pia, sabemos de antemão que nunca saberemos o fim destas histórias, nem o que verdadeiramente se passou, nem quem são os criminosos ou quantos crimes houve.

Tudo a que temos direito são informações caídas a conta-gotas, pedaços de enigma, peças do quebra-cabeças. E habituamo-nos a prescindir de apurar a verdade porque intimamente achamos que não saber o final da história é uma coisa normal em Portugal, e que este é um país onde as coisas importantes são "abafadas", como se vivêssemos ainda em ditadura.

E os novos códigos Penal e de Processo Penal em nada vão mudar este estado de coisas. Apesar dos jornais e das televisões, dos blogs, dos computadores e da Internet, apesar de termos acesso em tempo real ao maior número de notícias de sempre, continuamos sem saber nada, e esperando nunca vir a saber com toda a naturalidade.

Do caso Portucale à Operação Furacão, da compra dos submarinos às escutas ao primeiro-ministro, do caso da Universidade Independente ao caso da Universidade Moderna, do Futebol Clube do Porto ao Sport Lisboa Benfica, da corrupção dos árbitros à corrupção dos autarcas, de Fátima Felgueiras a Isaltino Morais, da Braga Parques ao grande empresário Bibi, das queixas tardias de Catalina Pestana às de João Cravinho, há por aí alguém que acredite que algum destes secretos arquivos e seus possíveis e alegados, muitos alegados crimes, acabem por ser investigados, julgados e devidamente punidos? Vale e Azevedo pagou por todos?

Quem se lembra dos doentes infectados por acidente e negligência do Ministério da Saúde Leonor Beleza com o vírus da sida?

Quem se lembra do miúdo electrocutado no semáforo e do outro afogado num parque aquático?

Quem se lembra das crianças assassinadas na Madeira e do mistério dos crimes imputados ao padre Frederico?

Quem se lembra que um dos raros condenados em Portugal, o mesmo padre Frederico, acabou a passear no Calçadão de Copacabana?

Quem se lembra do autarca alentejano queimado no seu carro e cuja cabeça foi roubada do Instituto de Medicina Legal?

Em todos estes casos, e muitos outros, menos falados e tão sombrios e enrodilhados como estes, a verdade a que tivemos direito foi nenhuma.

No caso McCann, cujos desenvolvimentos vão do escabroso ao incrível, alguém acredita que se venha a descobrir o corpo da criança ou a condenar alguém?

As últimas notícias dizem que Gerry McCann não seria pai biológico da criança, contribuindo para a confusão desta investigação em que a Polícia espalha rumores e indícios que não têm substância.
E a miúda desaparecida em Figueira? O que lhe aconteceu? E todas as crianças desaparecida antes delas, quem as procurou?

E o processo do Parque, onde tantos clientes buscavam prostitutos, alguns menores, onde tanta gente "importante" estava envolvida, o que aconteceu? Alguns até arranjaram cargos em organismos da UE.
Arranjou-se um bode expiatório, foi o que aconteceu.

E as famosas fotografias de Teresa Costa Macedo? Aquelas em que ela reconheceu imensa gente "importante", jogadores de futebol, milionários, políticos, onde estão? Foram destruídas? Quem as destruiu e porquê?

E os crimes de evasão fiscal de Artur Albarran mais os negócios escuros do grupo Carlyle do senhor Carlucci em Portugal, onde é que isso pára? O mesmo grupo Carlyle onde labora o ex-ministro Martins da Cruz, apeado por causa de um pequeno crime sem importância, o da cunha para a sua filha.

E aquele médico do Hospital de Santa Maria, suspeito de ter assassinado doentes por negligência? Exerce medicina?

E os que sobram e todos os dias vão praticando os seus crimes de colarinho branco sabendo que a justiça portuguesa não é apenas cega, é surda, muda, coxa e marreca.

Passado o prazo da intriga e do sensacionalismo, todos estes casos são arquivados nas gavetas das nossas consciências e condenados ao esquecimento. Ninguém quer saber a verdade. Ou, pelo menos, tentar saber a verdade.

Nunca saberemos a verdade sobre o caso Casa Pia, nem saberemos quem eram as redes e os "senhores importantes" que abusaram, abusam e abusarão de crianças em Portugal, sejam rapazes ou raparigas, visto que os abusos sobre meninas ficaram sempre na sombra.

Existe em Portugal uma camada subterrânea de segredos e injustiças, de protecções e lavagens, de corporações e famílias, de eminências e reputações, de dinheiros e negociações que impede a escavação da verdade.

Este é o maior fracasso da democracia portuguesa."

Clara Ferreira Alves - "Expresso"

sexta-feira, 11 de março de 2011

E agora seguem-se as reformas...

Grão a Grão, vai a galinha enchendo o papo! Diz o povo e com razão, se bem que neste caso não se tratam de meros grãos de milho e muito menos de galináceos...

De facto, esta medida já se adivinhava como necessária. Aliás, só não foi implantada aquando do corte salarial ocorrido no início do ano aos funcionários públicos, porque mais uma vez a dimensão dos nossos políticos não dá para mais!...ou será que - penso alto, pois de certeza que se trata de mera utopia - a intenção já existindo, foi adiada a bem da anestesia popular e baixar da poeira!?

Bem a questão é que mais uma vez, esta medida não vai chegar, pois paralelamente aos sacrifícios que têm vindo a ser exigidos a toda a população, se continua a assistir a um desfilar de privilégios aos detentores de cargos políticos e gestores por estes nomeados. E isto, em plena vigência das medidas de austeridade! A situação é tão gritante que até o Presidente da República se lhe referiu contundentemente no seu discurso de tomada de posse.

E o mais preocupante é que ainda estamos longe do ponto de viragem. O cumprimento dos objectivos da redução do défice em 2010 foi uma enorme mentira, só possível com a contabilização do Fundo de Pensões da PT! O problema é que os mercados e os detentores de capital não são tontos - pelo menos como o nosso PM nos toma a todos - e vai daí os juros continuam a subir, apesar do cenário idílico com que nos tentam iludir, pasme-se. A questão relevante é que precisamos de pedir dinheiro emprestado para continuar a viver e quem dita as leis de mercado são os credores, não nós e muito menos a estirpe que nos governa.

É claro para mim que não podíamos nem deveríamos ter chegado a este ponto! Eu, à semelhança de muitos outros ditos velhos do Restelo já há muitos anos que perspectivava a chegada deste dia. E continuo plenamente convicto - como gostaria de estar enganado! - que estas medidas, complementadas com a suspensão das grandes obras públicas (aqui o governo ainda não está convencido) não vão ser suficientes para resolver o problema de fundo! A verdade é que vamos continuar a empobrecer de forma dramática e acelerada nos próximos largos anos. Com outra agravante: os responsáveis políticos deste País não têm consciência do descontentamento social que cresce e alastra transversalmente a toda a sociedade!

Quer me parecer que a curto prazo se vai confirmar outro dos meus piores receios....amanhã, nas manifestações da "geração à rasca" já poderemos começar a ter uma noção dessa dimensão...aguardemos!!!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Opções de carreira....nos tempos que correm!




Os especuladores internacionais têm nome: chamam-se Sócrates e Teixeira dos Santos!

Só agora pude ver o Boletim da Execução Orçamental de Janeiro. Verifiquei que o Governo mais uma vez nos quis enganar. De forma primária e grosseira. Em conluio com muita da comunicação social, que transcreve as notas governamentais.

E vi que, onde Sócrates e Teixeira dos Santos mandam e mexem, a Despesa aumenta sem controlo. Até, pasme-se, a Despesa com Pessoal, apesar dos cortes havidos!...

Aqui está o que li e vi (os aumentos referem-se ao período homólogo, Janeiro de 2010).

Despesas do Subsector Estado

Despesa corrente: aumentou 0,7% (aumento nominal e real); Despesa total efectiva: aumentou 0,9% (aumento nominal e real).

Despesas do Subsector Serviços e Fundos Autónomos

Despesa corrente: aumentou 5,1% (aumento nominal e real); Despesa total efectiva: aumentou 6,4% (aumento nominal e real); Despesa com Pessoal, pasme-se: aumentou 7,4% (aumento nominal e real) .

Despesas do Subsector da Segurança Social

Despesa corrente: aumentou 4,9% (aumento nominal e real); Despesa total efectiva: aumentou 4,8% (aumento nominal e real).

Despesas da Administração Local

Despesa primária: diminuiu 5,6% (diminuição nominal e real); Despesa total efectiva: diminuiu 4,9% (diminuição nominal e real).

Execução Orçamental do Estado

Despesa corrente: aumentou 0,7% (aumento nominal e real); Despesa total efectiva: aumentou 0,9% (aumento nominal e real); Despesa com Pessoal, pasme-se: aumentou 4,9% (aumento nominal e real).

A Despesa só diminuiu na Administração Local. Onde Sócrates e Teixeira dos Santos comandam, é só a subir. E se o défice melhorou, foi devido ao confisco feito aos contribuintes, através dos impostos. Situação não sustentável. Porque aumentos de receita de 15%, como em Janeiro, é confisco!!!

Por isso, as taxas da dívida sobem. Os especuladores internacionais têm um nome e morada: chamam-se Sócrates e Teixeira dos Santos e moram em Lisboa. E Ângela Merkel sabe a morada.....

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um país insuportável


"Um país insuportável. A falta de bom-senso e humildade constitui uma das principais causas da degenerescência da justiça portuguesa. Tudo seria simples se houvesse uma coisa que falta cada vez mais aos nossos magistrados: bom senso. Uma mulher com 88 anos de idade morreu no seu apartamento em Rio de Mouro, Sintra, mas o corpo só foi encontrado mais de oito anos depois, juntamente com os restos mortais de alguns animais de companhia (um cão e dois pássaros). Este caso, cujos pormenores têm sido abundantemente relatados na comunicação social, interpela-nos a todos não só pela sua desumanidade mas também pela chocante contradição entre os discursos públicos dominantes e a dura realidade da nossa vida social. Contradição entre promessas e garantias de bem-estar, de solidariedade e de confiança nas instituições públicas e uma realidade feita de solidão, de abandono e de impessoalidade nas relações das instituições com os cidadãos............

Claro que agora aparecem todos a dizer que cumpriram a lei e, portanto, ninguém poderá ser responsabilizado porque a culpa, na nossa justiça, é sempre das leis. É esta generalizada irresponsabilidade (ninguém responde por nada) que está a tornar este país cada vez mais insuportável."

Crónica de Marinho Pinto, leia aqui na íntegra

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Jobs for the boys

O populismo é geralmente mau conselheiro em mo­mentos de crise. E o ataque cerrado a todos os que ganham mais, como se aí estivesse a origem de to­das as desgraças, é apenas um dos seus mais genera­lizados sintomas.
Contudo, a aliança entre PS e PSD contra qualquer iniciativa parlamentar para introduzir limites de razoabilidade à remuneração de gestores públicos não pode ser vista como saudável recusa liminar do populismo. É, tão só, o reflexo de como os dois par­tidos do "centrão" estão literalmente reféns da sua rede clientelar.
Argumentar com a necessidade de "atrair os melhores num mercado concorrencial" quando se trata, sobre­tudo e/ou quase sempre, de remunerar boys recruta­dos para gerir empresas que agem em monopólio (ou quase!) ou, simplesmente, se afundam em prejuízos não é mais do que tentar tapar o sol com a peneira. E se o argumento vale para as empresas, como não aplicá-lo a gestores da própria administração, todos eles forçados a cortes radicais dos respectivos salá­rios?

Se dúvidas existissem sobre a bondade da argumen­tação, ela ficou, ontem, bem à vista, em mais um exemplo do descalabro de gestão do sector empre­sarial do Estado. Ficámos a saber pela Comunicação Social que na Rede Eléctrica Nacional, uma das tais empresas públicas a reclamar excelência de gestão, foram, nos últimos tempos, "contratados" oito, sim oito no­vos directores! Alguns já este mês e com remune­ração superior à do Presidente da República! Pagos com os nossos impostos, pois então!... Ao mesmo tempo que os trabalhadores, que denunciavam a situação, reduzi­ram os seus salários! É esta a noção de partilha de sacrifícios de quem nos governa e de quem anseia por governar!!!

Os mercados também sabem estas pequenas histó­rias e sabem que, neste momento, o que se impu­nha era uma solução à espanhola, com uma drástica redução dos quadros dirigentes do sector público e respectivas remunerações.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Bóia de salvação


Ao sair da reunião do ECOFIN, com os ministros das Finanças da UE, o ministro Teixeira dos Santos suplicou que a Europa se despache a desbloquear os novos mecanisnos de ajuda. Traduzido para português corrente, Teixeira dos Santos disse isto: atirem-nos rapidamente a bóia, porque estamos mesmo, mesmo a afogar-nos!

Mas José Sócrates acha que não! Diz que a economia está a regir melhor do que ele tinha previsto! Pasme-se: o PM congratulou-se com a evolução do último trimestre de 2010, exactamente na semana em que o governador do Banco de Portugal veio desfazer as ilusões, dizendo apenas isto: entrámos em recessão. Ponto final.

Cavaco Silva chamou Teixeira dos Santos a Belém, um dia depois de ter recebido o presidente da Comissão Europeia. E os sinais, estão lá todos: caminhamos a passos largos para a rutura. Mas Sócrates não acredita, não quer pedir ajuda ao FMI. Só aceita ajuda do Fundo Europeu!

Coitado, há alguém que lhe explique que nesta altura, a diferença é, cada vez mais, nenhuma!? E que levar o país para o abismo pode ser crime público!?

Coitados de nós!....

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

J.Paulo II - Santo e um homem normal


"O mundo precisa muito da santidade de João Paulo II". Terá sido este o comentário de Bento XVI, ao anunciar, ao actual Arcebispo de Cracóvia, a beati­ficação do Papa polaco.

Quem o conheceu garante isso mesmo: Wojtyla era um homem fora de série! Mas ele era assim, porque era um homem normal.

Wojtyla foi um brilhante actor de teatro, foi operá­rio fabril, praticou desporto, tinha imenso sentido de humor e, ao mesmo tempo, era profundo, cora­joso e grande devoto de Nossa Senhora. Sabia muito bem aquilo que queria, arriscou tudo ao enfrentar os regimes totalitários e, sobretudo, ao pedir ao mundo para abrir as portas a Cristo. Mas fê-lo com uma tão grande humildade que tudo nele pare­cia normal, evidente, como se fosse fácil ser assim como ele, santo! Foi um dos períodos mais felizes e "humanos" da história da Igreja Católica, em claro contraponto com outras épocas!

A afluência de multidão que já se prevê para o próximo dia 1 de Maio, em Roma, é a prova disto mesmo: que todos queremos, afinal, em nós uma centelha desta humanidade tão atractiva que fez dele um grande Santo.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Rescaldo das Eleições Presidenciais


"Foi um erro de Sócrates, grave, apoiar Manuel Alegre...", Mário Soares, em artigo no DN.

E, digo eu, há quem nunca aprenda com os próprios erros....vide o apoio a Soares nas eleições de 2006!...


Só tenho mais um comentário para finalizar: Estou em completo desacordo com Mário Soares. Sócrates tem acertado sempre, com precisão absoluta, na escolha dos candidatos que o povo rejeita. Por larguíssima maioria!...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Reeleição de Cavaco Silva como Presidente de Portugal


Com vitória em todos os concelhos do país, com excepção de doze, nove no Continente e três na Ilha da Madeira, Cavaco Silva é bem o Presidente de todo o Portugal. Como em 2006.


E ao contrário dos mandatos de Jorge Sampaio que, se por duas vezes ganhou o país, em ambas sempre perdeu o Norte!...


Nota: A vermelho, no Continente, os 9 concelhos ganhos por Francisco Lopes. José Manuel Coelho ganhou 3 concelhos na Madeira.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Emissão de dívida: entre a ficção e a realidade...



1.Muito já se disse sobre o resultado da dupla emissão de dívida colocada na semana passada pelo Tesouro Português: dívida a 4 anos (€ 650 milhões) e a 10 anos (€ 599 milhões).

2.E muito do que se disse foi dito – sobretudo nos meios do poder ou a este ligados – em tom de grande regozijo pelos resultados conseguidos nas emissões, ou melhor pelo resultado conseguido na emissão a 10 anos, curiosamente a de menor montante…

3.O PM foi o mais exuberante, proclamando, alto e bom som, que esta colocação de dívida demonstra que não vamos precisar da ajuda externa – coisa que não deveria ter dito pela simples razão de que não se pode concluir daqui nem que vamos nem que não vamos precisar dessa ajuda…

4.Não esquecendo a ajuda, preciosa, que já recebemos do BCE, sem a qual nem dívida haveria...

5.Atentando nos resultados das duas emissões, chega-se a uma conclusão bizarra: em relação às últimas colocações de dívida, nos mesmos prazos, o juro na emissão de 4 anos subiu de 4,0% para 5,4% - 154 pontos base, +35% - enquanto que na emissão a 10 anos baixou muito ligeiramente, de 6,80% para 6,712% (9 pontos base)...

6.Como explicar que em duas emissões de dívida realizadas no mesmo dia se tenham verificado comportamentos tão divergentes das taxas de juro? E que a taxa de juro mais favorável tivesse sido a da emissão a 10 anos, que envolve em princípio maior risco?

7.Sabemos, é claro, que a dívida a 10 anos concitava as atenções do mercado, para saber se ultrapassava ou não a fasquia dos 7%...tendo-se formado um consenso na comunicação social (errado, na minha análise) de que seria inevitável o recurso à ajuda externa, vulgo FMI, caso aquela fasquia fosse excedida.

8.Assim, as atenções concentraram-se quase exclusivamente na dívida a 10 anos, cujo juro não subiu, omitindo-se praticamente a dívida a 4 anos, cujo juro encareceu e muito.
9.Assim a dívida ontem emitida, no seu total, saiu bastante mais cara, mas a leitura política e de muitos comentadores foi no sentido inverso, de que saiu mais barata...

10.O prestidigitador Luís de Matos não teria feito melhor trabalho...

11.Continuamos na senda de preferir a ficção, procurando iludir a realidade - não nos queixemos pois das “surpresas” desagradáveis com que temos sido e iremos ser frequentemente defrontados.

O Diário do Professor Arnaldo – A fome nas escolas

Li um texto redigido por um professor que não resisto a partilhar com quem queira:
"Ontem, uma mãe lavada em lágrimas veio ter comigo à porta da escola. Que não tinha um tostão em casa, ela e o marido estão desempregados e, até ao fim do mês, tem 2 litros de leite e meia dúzia de batatas para dar aos dois filhos.Acontece que o mais velho é meu aluno. Anda no 7.º ano, tem 12 anos mas, pela estrutura física, dir-se-ia que não tem mais de 10. Como é óbvio, fiquei chocado. Ainda lhe disse que não sou o Director de Turma do miúdo e que não podia fazer nada, a não ser alertar quem de direito, mas ela também não queria nada a não ser desabafar.De vez em quando, dão-lhe dois ou três pães na padaria lá da beira, que ela distribui conforme pode para que os miúdos não vão de estômago vazio para a escola. Quando está completamente desesperada, como nos últimos dias, ganha coragem e recorre à instituição daqui da vila – oferecem refeições quentes aos mais necessitados. De resto, não conta a ninguém a situação em que vive, nem mesmo aos vizinhos, porque tem vergonha. Se existe pobreza envergonhada, aqui está ela em toda a sua plenitude.Sabe que pode contar com a escola. Os miúdos têm ambos Escalão A, porque o desemprego já se prolonga há mais de um ano (quem quer duas pessoas com 45 anos de idade e habilitações ao nível da 4ª classe?). Dão-lhes o pequeno-almoço na escola e dão-lhes o almoço e o lanche. O pior é à noite e sobretudo ao fim-de-semana. Quantas vezes aquelas duas crianças foram para a cama com meio copo de leite no estômago, misturado com o sal das suas lágrimas…Sem saber o que dizer, segureia-a pela mão e meti-lhe 10 euros no bolso. Começou por recusar, mas aceitou emocionada. Despediu-se a chorar, dizendo que tinha vindo ter comigo apenas por causa da mensagem que eu enviara na caderneta. Onde eu dizia, de forma dura, que «o seu educando não está minimamente concentrado nas aulas e, não raras vezes, deita a cabeça no tampo da mesma como se estivesse a dormir».Aí, já não respondi. Senti-me culpado. Muito culpado por nunca ter reparado nesta situação dramática. Mas com 8 turmas e quase 200 alunos, como podia ter reparado?...."

É este o Portugal de sucesso dos nossos governantes. É este o Portugal dos nossos filhos... é este o país europeu que apresentamos lá fora!!!!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A Nova Matemática de Sócrates

*A receita de 2010 ficou acima do valor previsto.
*A despesa de 2010 ficou abaixo do valor previsto.

= défice de 2010 fica no valor previsto de 7,3%.

Sócrates no Debate de 6ª feira, dia 7 de Janeiro, na Assembleia da República. Alguém me explica esta nova e sofisticada matemática, que só por mim não atinjo?

sábado, 11 de dezembro de 2010

Boas Festas...


Apenas e só......Feliz Natal!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Aumento da corrupção em Portugal

A maior parte dos portugueses (83%) acha que a corrupção aumentou em Portugal nos últimos três anos, segundo o Barómetro Global da Corrupção da organização não governamental Transparência Internacional hoje divulgado.

O estudo, que se baseou em 91 500 entrevistas em todo o mundo, regista que 83% dos portugueses consideram que a corrupção aumentou nos últimos três anos, enquanto 13% acham que está na mesma e só três por cento afirmam que desceu.

Em média, 73% dos cidadãos de 24 países europeus analisados acham que a corrupção aumentou.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Economia paralela pesava um quarto do PIB em 2009

Para todos meditarmos:

"O peso da economia paralela em Portugal aumentou de 9,3 por cento do PIB em 1970 para 24,2 por cento em 2009, somando então 31 mil milhões de euros, conclui um estudo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP).
...
Para Nuno Gonçalves, o recente agravamento de 22,5 por cento em 2008 para 24,2 por cento em 2009 do peso da ENR estará directamente ligada à crise económica, que propicia a fuga ao fisco, e deverá pecar por defeito, porque a economia ilegal estará ainda subavaliada.

«Uma das causas da formação na ENR é a carga fiscal e a carga da regulação, pelo que, se virmos os níveis do desemprego a aumentar e a carga fiscal a agravar-se, como tem acontecido, então muito provavelmente teremos um aumento da ENR, porque haverá um esforço cada vez maior das pessoas em fugir à economia oficial e aos impostos», sustentou."

Nuno Gonçalves.